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VEREADOR DO PT É PRESO EM OPERAÇÃO QUE INVESTIGA ELO ENTRE PCC E EMPRESA DE ÔNIBUS

VEREADOR DO PT É PRESO EM OPERAÇÃO QUE INVESTIGA ELO ENTRE PCC E EMPRESA DE ÔNIBUS

25 de junho de 2026

A Polícia Civil de São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, deflagraram a Operação Última Parada. A ação resultou na prisão temporária do vereador paulistano Senival Pereira de Moura (PT), que cumpre seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo. Ele é investigado por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) infiltrado no sistema de transporte público da capital paulista.

A ofensiva focou nas operações da empresa de transportes Transunião, que atua na Zona Leste da cidade e recebe repasses milionários da prefeitura.


Quem é Senival Moura, vereador preso em operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC em empresa de ônibus de SP

O esquema na Transunião e o estopim da operação

A investigação que culminou na prisão do parlamentar é um desdobramento do inquérito que apurou o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, executado em 2020. Na ocasião, a polícia apreendeu dispositivos eletrônicos e planilhas contendo a real divisão de bens e frotas da empresa.

Os principais achados dos investigadores apontam para:

 Propriedade Oculta de Frota: As planilhas revelaram que o vereador seria o proprietário de pelo menos 13 ônibus integrados à frota da Transunião, operando por meio de laranjas.

 Infiltração da Facção: Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), integrantes do PCC controlavam cerca de 40% da companhia de transportes, utilizando a circulação do dinheiro dos subsídios públicos e das passagens para lavar ativos oriundos do tráfico de drogas.

Jurado de morte e “perdoado” pelo tribunal do crime

Durante a entrevista coletiva sobre a operação, a cúpula da Polícia Civil revelou detalhes sobre a relação de Senival Moura com a cúpula da facção criminosa:

O desfalque financeiro: A linha de investigação aponta que o assassinato do ex-presidente da empresa, Adauto, ocorreu devido a um desvio de dinheiro interno na companhia. O vereador Senival Moura também estava envolvido no desfalque e chegou a entrar na mira do “tribunal do crime” da facção, sendo jurado de morte.

De acordo com o Deic, o parlamentar só não foi executado por causa de sua relevância e influência no cenário político. A liderança do PCC optou por “perdoá-lo” sob a condição de que ele realizasse o ressarcimento integral dos valores que haviam sido subtraídos do caixa da operadora de transporte. Na época dos fatos, temendo por sua integridade física, o vereador chegou a solicitar proteção policial.

Outros alvos e desdobramentos

Além do vereador do PT, as autoridades cumpriram mandados de prisão contra outras figuras essenciais da engrenagem da Transunião:

1. Jair Ramos de Freitas (conhecido como “Cachorrão”): Apontado pelos investigadores como o diretor informal da empresa de ônibus e o elo de comando direto com a facção criminosa.

2. Devanil de Souza Nascimento (conhecido como “Sapo”): Motorista de longa data e homem de confiança do vereador Senival, acusado de participar ativamente da ocultação de patrimônio e intermediação de interesses.

A defesa do vereador Senival Moura já negou publicamente em ocasiões anteriores qualquer envolvimento com práticas ilícitas ou com o crime organizado, afirmando estar totalmente à disposição da Justiça para esclarecer os fatos. O Partido dos Trabalhadores e a Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo informaram que aguardarão o acesso formal aos autos do processo para avaliar o caso e definir quais medidas político-disciplinares serão adotadas.

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