O andamento das investigações do chamado Caso Master (decorrente dos desdobramentos operacionais da Operação Compliance Zero) enfrenta um momento de retenção estratégica no Supremo Tribunal Federal (STF). O gabinete do ministro André Mendonça acumulou dezenas de pedidos, recursos e reclamações constitucionais protocolados pelas defesas de executivos, lobistas e agentes políticos envolvidos no inquérito. A concentração de processos sob a relatoria ou pedido de vista do magistrado tornou-se o principal fator de definição do ritmo das apurações que miram crimes financeiros e lavagem de capitais.

O ministro André Mendonça, durante sessão do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF/13-11-2025
Os pedidos acumulados vão desde a devolução de bens apreendidos e desbloqueio de contas bancárias até pedidos complexos de trancamento de ações penais por suposta incompetência de foro.
O perfil dos pedidos acumulados no gabinete
A estratégia dos advogados que representam os alvos do Caso Master incluindo defesas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a instituições financeiras correlatas tem sido inundar o STF com recursos que contestam as decisões tomadas nas instâncias inferiores pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Entre as dezenas de petições sob análise de André Mendonça, destacam-se:
Contestações de Medidas Cautelares: Pedidos de revogação de bloqueios milionários de ativos (como os que atingiram empresas e CPFs de investigados) sob o argumento de que as restrições inviabilizam a atividade empresarial legítima.
Acesso a Provas e Sigilo: Reclamações que exigem o acesso integral a termos de colaboração premiada e mídias espelhadas pela PF, alegando que o cerceamento de defesa viola prerrogativas fundamentais.
Validade de Compartilhamento do Coaf: Recursos que questionam a legalidade do envio de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) detalhados diretamente à polícia sem prévia autorização judicial, uma tese jurídica cara ao perfil do ministro.
A postura de André Mendonça e o equilíbrio na Segunda Turma
Dentre os ministros do STF, André Mendonça é frequentemente observado por adotar uma postura de rigor técnico processual, equilibrando-se entre o garantismo constitucional e a validação de ferramentas de combate à corrupção. O acúmulo de processos em seu gabinete reflete a complexidade do Caso Master, onde cada decisão individual (monocrática) pode abrir precedentes para dezenas de outros réus na mesma operação.
O fator tempo nos bastidores: Nos bastidores do Judiciário, advogados avaliam que a demora na análise dos pedidos joga a favor das defesas, pois esfria o clamor público das fases ostensivas da operação e pode levar à prescrição de crimes de menor gravidade. Por outro lado, investigadores temem que a retenção prolongada de recursos de quebra de sigilo atrase o cruzamento de dados necessário para identificar o destino final do dinheiro desviado.
Os próximos passos e as expectativas do mercado financeiro
A liberação desses pedidos para julgamento, seja de forma individual ou em pacotes levados ao colegiado da Segunda Turma do STF, ditará se o Caso Master avançará para a fase de denúncias formais ou se sofrerá retrocessos estruturais.
O mercado financeiro e os setores políticos afetados pelas investigações acompanham com atenção os despachos do gabinete de Mendonça. Qualquer sinalização de acolhimento das teses de nulidade das provas coletadas pela Polícia Federal poderá desidratar a operação, enquanto a manutenção das cautelares forçará os investigados a buscarem novos caminhos, incluindo a possibilidade de celebração de acordos de leniência e delação premiada.