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“ZICO: O SAMURAI DE QUINTINO” – Uma aula de gestão de carreira e caráter.

“ZICO: O SAMURAI DE QUINTINO” – Uma aula de gestão de carreira e caráter.

O cinema brasileiro tem uma longa tradição de flertar com seus ídolos esportivos, mas poucos documentários conseguem capturar a essência da “santidade laica” de forma tão precisa quanto “Zico, o Samurai de Quintino”.

O filme não é apenas um registro cronológico de gols; é um estudo sobre a disciplina férrea e o impacto cultural do homem que transformou o Flamengo e o futebol japonês.

O roteiro utiliza uma montagem ágil para costurar os dois polos da vida do “Galinho”, de um lado, temos o subúrbio carioca a Quintino que batiza o título do filme e onde a técnica foi forjada no quintal de casa, do outro, o Japão dos anos 90, onde Zico não foi apenas um jogador, mas o arquiteto de uma liga profissional inteira.

A metáfora do Samurai não é meramente estética, o documentário foca intensamente nos valores de Zico:

 •Lealdade: A fidelidade quase inabalável ao rubro-negro.

 •Resiliência: A superação das graves lesões no joelho que quase encerraram sua carreira precocemente.

 •Honra: O comportamento ético que o tornou respeitado até pelos maiores rivais.

O brilho da obra reside nos depoimentos, ver lendas falarem de Zico com reverência humaniza o ídolo, enquanto as imagens de arquivo restauradas trazem uma textura vibrante aos anos de ouro do Maracanã.

A trilha sonora e o ritmo das edições de lances clássicos as cobranças de falta com curva impossível e os passes milimétricos servem para lembrar às novas gerações que, antes da era dos dados e algoritmos, o futebol era uma forma de arte plástica conduzida pelos pés do camisa 10.

Para esse jornalista que vos escreve e para o espectador comum, o filme escapa da armadilha do “documentário institucional”, embora evite polêmicas profundas, ele entrega um retrato honesto de como o talento, quando aliado a uma ética de trabalho obsessiva, é capaz de moldar a identidade de um povo.

“Zico, o Samurai de Quintino” é um convite à nostalgia, mas também uma aula de gestão de carreira e caráter, é cinema essencial para quem deseja entender por que, para milhões, Zico não é apenas um ex-atleta, mas uma religião.

Nota 5/5

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