Um estudo recente conduzido no Brasil indica que alterações genéticas herdadas dos pais são menos frequentes em homens com câncer de próstata metastático do que o observado em populações de países como Estados Unidos e Europa. O trabalho analisou o material genético de pacientes atendidos pelo sistema público de saúde e trouxe novos dados sobre o perfil genômico da população nacional.
A pesquisa examinou o DNA de 193 pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) vindos de todas as cinco regiões brasileiras. Entre esses homens, que apresentavam idade média de 68 anos, foram encontradas alterações herdadas em genes diretamente ligados ao câncer de próstata em 5,7% dos casos. Quando a análise foi ampliada para 148 genes associados ao câncer em geral, o índice subiu para 9,8%.
Metodologia e os desafios na medicina de precisão
Os pesquisadores coletaram e sequenciaram tanto o DNA do sangue quanto o material genético obtido diretamente dos tumores. O DNA sanguíneo permite identificar as alterações germinativas, que são aquelas recebidas dos pais desde o nascimento e que aumentam a predisposição a certas doenças. Já o DNA tumoral revela as mutações somáticas, que surgem ao longo da vida e ficam restritas às células malignas.
Apesar da proporção menor encontrada no Brasil em comparação com dados internacionais — onde taxas de origem hereditária na doença chegam a alcançar até 17% — os autores ressalvam que os resultados devem ser interpretados com cautela. A qualidade e o preparo do material coletado ainda representam um gargalo significativo para o avanço da medicina de precisão na rede pública de saúde nacional.
Necessidade de novas investigações científicas
Especialistas envolvidos no projeto destacam que, embora a contribuição genética pareça menor no grupo avaliado, ainda não é possível cravar que a doença possua uma origem menos hereditária no país. O avanço dessas pesquisas exige amostras mais robustas e um número maior de participantes para confirmar se a tendência observada se sustenta de forma estatisticamente definitiva.
O levantamento integrou as iniciativas científicas do projeto Onco-Genomas Brasil, vinculado ao programa Genomas Brasil, desenvolvido por meio de uma parceria entre o Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre, e o Ministério da Saúde. O estudo completo foi veiculado na revista científica Genetics in Medicine Open.