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SUPERGIRL – Segue rota oposta ao primo escoteiro, como deve ser.

SUPERGIRL – Segue rota oposta ao primo escoteiro, como deve ser.

24 de junho de 2026

O novo e ambicioso capítulo do Universo DC sob a gestão de James Gunn e Peter Safran ganha as telas com Supergirl (2026), longa dirigido por Craig Gillespie (Eu, Tonya) e roteirizado por Ana Nogueira.

Inspirado na aclamada HQ “Supergirl: Mulher do Amanhã”, de Tom King e Bilquis Evely, o filme faz uma escolha estética e narrativa corajosa: afastar-se do otimismo reluzente de seu primo, o Superman de David Corenswet, para entregar uma ópera espacial crua, focada no luto e na vingança.

O maior trunfo da produção atende pelo nome de Milly Alcock (A Casa do Dragão) no papel de Kara Zor-El, Alcock entrega uma performance magnética e carrega o filme nas costas com uma maturidade impressionante, diferente de Clark Kent, que cresceu cercado pelo amor em uma fazenda no Kansas, esta Kara testemunhou a destruição total de Krypton e flutuou pelo espaço cercada pela morte.

A atriz canaliza perfeitamente essa bagagem, sua Supergirl é cínica, endurecida, mas profundamente humana quando confrontada pela dor alheia, a trama ganha tração quando Kara se une à jovem alienígena Ruthye (Eve Ridley) em uma jornada interestelar em busca de justiça (ou pura retaliação) contra um adversário implacável que cruzou seus caminhos, essa dinâmica de Western espacial confere ao filme uma identidade única no gênero de super-heróis.

Milly Alcock consolida-se como o maior acerto do novo DCU, entregando uma Kara Zor-El que equilibra perfeitamente a brutalidade de uma sobrevivente e a vulnerabilidade de quem perdeu tudo.

Quem também rouba a cena e injeta uma dose cavalar de energia na projeção é Jason Momoa na pele do caçador de recompensas Lobo, esbanjando o carisma bruto que se tornou sua marca registrada, Momoa parece ter nascido para interpretar o “Maioral”, sua presença em tela é um deleite para os fãs dos quadrinhos: ele entrega um anti-herói perfeitamente violento, desbocado e visualmente impecável, mais do que um simples alívio cômico ou uma ameaça física, o Lobo de Momoa serve como o contraponto ideal à sobriedade de Kara, equilibrando a melancolia da trama com a pura e caótica diversão dos gibis dos anos 90.

Jason Momoa como Lobo: Nasceu para o papel

Se a atuação principal brilha, o entorno oscila perigosamente, em diversos momentos, a grandiosidade cósmica prometida pela HQ se reduz a cenários cinzentos e escolhas visuais que remetem ao visual limitado de produções que abusam de estúdios virtuais (tecnologia de telas LED), deixando o longa com um aspecto artificial e, por vezes, esteticamente cansativo.

Supergirl (2026) cumpre a promessa de expandir o lado cósmico do DCU por um viés muito mais maduro. Não é o início de era perfeito que os fãs mais fervorosos de James Gunn esperavam, mas estabelece Milly Alcock como uma força imparável na cultura pop atual.

Vale o ingresso pela atuação de sua protagonista e pela coragem de assumir riscos em um gênero saturado de fórmulas repetitivas.

Nota 4/5

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