Pesquisar

ESCÂNDALO FINANCEIRO: AUDITORIA REVELA ROMBO EM CRÉDITOS SEM GARANTIA NO BRB

ESCÂNDALO FINANCEIRO: AUDITORIA REVELA ROMBO EM CRÉDITOS SEM GARANTIA NO BRB

Uma auditoria independente contratada para analisar as operações recentes do Banco de Brasília (BRB) entregou um relatório devastador às autoridades reguladoras nesta terça-feira (21/04/2026). O documento revela que uma carteira de créditos bilionária, adquirida pelo banco nos últimos anos, é composta majoritariamente por ativos “podres”, sem qualquer tipo de garantia real (imóveis, veículos ou reservas financeiras sólidas).

A descoberta é o desdobramento mais grave da crise que se iniciou com a prisão do ex-presidente da instituição na semana passada. Os auditores apontam que o BRB comprou esses créditos de empresas ligadas ao ecossistema do Banco Master, em operações que agora são classificadas como gestão temerária e fraude financeira.

A Anatomia da Fraude: O “Papel de Papel”

O esquema consistia na venda de Direitos Creditórios (FIDCs) e outros títulos de dívida para o BRB. No papel, esses ativos prometiam alta rentabilidade; na prática, eram lastreados em:

• Garantias Fictícias: Imóveis supervalorizados ou que pertenciam a terceiros que sequer sabiam da operação.

• Empresas de Prateleira: Notas promissórias emitidas por empresas sem funcionários, sem sede física e com capital social irrisório.

• Créditos Inexistentes: Antecipação de recebíveis de vendas que nunca ocorreram, geradas apenas para inflar o balanço e justificar o repasse de dinheiro público para o setor privado.


Banco Central projeta rombo de R$ 5 bilhões após o BRB comprar R$ 12,2 bilhões em créditos fictícios do MasterFoto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Impacto nos Cofres Públicos

O rombo estimado pela auditoria pode comprometer a saúde financeira do banco e, consequentemente, os dividendos repassados ao Governo do Distrito Federal (GDF).

Reação das Autoridades e do Mercado

A divulgação do relatório provocou uma queda acentuada nas ações do banco e uma reação em cadeia em Brasília:

1. Banco Central: Estuda a nomeação de um interventor ou a imposição de um Regime de Administração Especial Temporária (RAET) para preservar os depósitos dos correntistas.

2. Câmara Legislativa (CLDF): Deputados distritais protocolaram um pedido de CPI para investigar a responsabilidade política do GDF na indicação dos gestores que autorizaram as compras.

3. Ministério Público: O MPDFT já solicitou o bloqueio de bens de todos os diretores envolvidos nas operações entre 2022 e 2025.

“O que a auditoria mostra é que o banco foi usado como uma ‘lixeira’ de ativos tóxicos para salvar grupos privados, colocando em risco a instituição pública”, afirmou um dos peritos responsáveis pelo laudo.”

O Que o Correntista Deve Saber?

Apesar do escândalo, especialistas em mercado financeiro reforçam que o BRB possui proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura depósitos de até R$ 250 mil por CPF. O foco das investigações atuais é a punição dos gestores e a recuperação do patrimônio desviado, e não há, até o momento, indícios de paralisação dos serviços bancários cotidianos.

Mais recentes

Rolar para cima