Em um movimento que aprofunda a crise institucional no Banco de Brasília, o grupo Fictor anunciou oficialmente a desistência da compra de R$ 1 bilhão em ações da instituição. A operação, que vinha sendo tratada como a “tábua de salvação” para capitalizar o banco e expandir suas operações nacionais, ruiu após as recentes revelações de fraudes em créditos sem garantia e a prisão de ex-dirigentes ligados ao Caso Master.
A Fictor, uma holding com forte atuação no setor de agronegócio e energia, justificou a decisão citando a “mudança drástica no cenário de governança” e a incerteza jurídica que passou a cercar o BRB nas últimas semanas.
Os Motivos da Desistência
Fontes próximas à negociação indicam que três fatores foram determinantes para o cancelamento do aporte bilionário:
1. Deterioração de Ativos: A auditoria independente que revelou R$ 2,5 bilhões em créditos podres assustou os investidores, que temem que o rombo seja ainda maior do que o divulgado.
2. Risco de Contágio (Caso Master): A proximidade do BRB com o Banco Master e as empresas de Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado tornou o investimento tóxico para o compliance da Fictor.
3. Instabilidade Política: O pedido de abertura de uma CPI na Câmara Legislativa (CLDF) e a possibilidade de intervenção do Banco Central criaram um ambiente de alto risco para a entrada de novos acionistas.

BRB tem participação em oito fundos de investimento que aparecem no esquema de fraudes do banco de VorcaroFoto: Reprodução BRB
O Impacto para o BRB e para o GDF
A saída da Fictor é um golpe duríssimo nas pretensões do Governo do Distrito Federal (GDF) e da atual diretoria do banco:
• Plano de Expansão Suspenso: Sem o aporte de R$ 1 bilhão, os planos de transformar o BRB em um banco digital de alcance global e a manutenção de patrocínios vultosos ficam comprometidos.
• Necessidade de Capitalização: O banco agora terá que buscar outras formas de reforçar seu Índice de Basileia (indicador que mede a solvência), possivelmente dependendo de recursos diretos do Tesouro do Distrito Federal, o que pressiona as contas públicas.
• Pressão de Mercado: As ações do banco (BRBA3) registraram forte volatilidade após o anúncio, refletindo o medo de que o banco não consiga encontrar novos parceiros privados a curto prazo.
O Futuro da Instituição
Analistas acreditam que o BRB passará agora por um processo de “encolhimento forçado”. A prioridade deve ser a limpeza do balanço e a reestruturação da governança interna para evitar uma liquidação extrajudicial. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) também abriu processo administrativo para investigar se houve omissão de informações relevantes aos acionistas minoritários durante as negociações com a Fictor.