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Governo aperta o cerco contra apostas ilegais e determina bloqueio de mais de 5 mil sites de ‘bets’

Em coletiva, ministérios da Justiça e da Fazenda detalham ações da Medida Provisória nº 1.394/2026; apostadores têm até o dia 5 de outubro para sacar saldos.

O governo federal anunciou uma ofensiva sem precedentes contra o mercado de apostas de quota fixa não regulamentadas no Brasil. Em coletiva de imprensa realizada no Palácio da Justiça, representantes dos ministérios da Justiça e da Fazenda detalharam os primeiros resultados e as próximas etapas do processo de desarticulação das chamadas “bets” ilegais, amparado pelas diretrizes da recém-publicada Medida Provisória nº 1.394/2026.

De acordo com as autoridades, a fiscalização será um esforço de Estado permanente. “Esse é um processo permanente e contínuo de fiscalização para dar conta da responsabilidade envolvida pelo Estado brasileiro no combate a essa prática que se tornou ilícita, e nós alcançaremos todos os elos dessa cadeia progressivamente”, afirmou o ministro Wellington Dias durante o pronunciamento.

O desafio do “jogo de gato e rato” na internet

Especialistas e técnicos do setor apontam que a eficácia plena das sanções depende diretamente do aprimoramento tecnológico das ferramentas de combate. Embora o governo venha intensificando as ordens de derrubada, a infraestrutura atual da internet impõe limitações físicas aos bloqueios tradicionais praticados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Na prática, as plataformas irregulares operam em um “jogo de gato e rato”: assim que um site é retirado do ar pelas operadoras de telecomunicações, os criminosos conseguem restabelecer o acesso ao serviço em questão de minutos. Sem o uso de tecnologias preditivas avançadas — como inteligência artificial para monitoramento em tempo real —, a fiscalização esbarra na agilidade dessas redes clandestinas, que clonam marcas e migram seus sistemas instantaneamente para novos endereços de IP e extensões de URL alternadas hospedadas no exterior.

Bloqueio em massa na internet e redes sociais

Apenas no período de 27 a 29 de setembro, as ações coordenadas de monitoramento e repressão geraram números expressivos:

  • 5.209 sites de apostas irregulares já foram encaminhados à Anatel para bloqueio imediato.
  • Mais de 390 páginas no Facebook e no Instagram foram alvo de pedidos de remoção por realizarem publicidade ilegal de plataformas de apostas.
  • 1.014.722 membros e usuários de canais, grupos e perfis dedicados a apostas ilícitas foram bloqueados no aplicativo de mensagens Telegram.

Prazo final para lojas de aplicativos e saques

A Secretaria de Direito Digital notificou oficialmente as principais lojas de aplicativos do mercado (como Google Play e App Store). A determinação exige que 186 aplicativos de bets sejam retirados do ar até as 23h59 do dia 5 de outubro. A partir do dia 6 de outubro, nenhuma dessas ferramentas poderá estar disponível para download no país.

Este prazo coincide com a data limite para os consumidores. O governo alertou que os apostadores têm até o dia 5 de outubro para retirar eventuais saldos e fundos mantidos nas plataformas não autorizadas. Após essa data, o acesso aos sites e aplicativos será completamente interrompido.

Impacto financeiro e atuação da Polícia Federal

A resposta do mercado financeiro às novas regras já começou a aparecer. Dados apresentados na coletiva revelam que o volume de transações financeiras ligadas a apostas via PIX registrou uma queda de 10% logo após a publicação da Medida Provisória, sinalizando o recuo de operadores e usuários.

No âmbito jurídico e policial, o cerco também se fechou:

  • 63 processos administrativos de perdimento estão em andamento contra as empresas que operavam de forma irregular.
  • A Polícia Federal (PF), que investiga o setor de forma intensiva, contabiliza 12 operações realizadas nos últimos anos, resultando no congelamento e bloqueio de R$ 4,17 bilhões em patrimônio de organizações criminosas e empresas clandestinas.

As ações integradas entre ministérios, agências reguladoras e forças de segurança pública marcam uma nova fase de tolerância zero contra o jogo ilegal e a evasão de divisas no território nacional.

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