Pesquisar

O baneis Rocha desiste do Senado e provoca reviravolta na política do Distrito Federal

O baneis Rocha desiste do Senado e provoca reviravolta na política do Distrito Federal

9 de julho de 2026

A corrida ao Senado pelo Distrito Federal acaba de ganhar um novo rumo. O ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), que era apontado como um dos principais nomes da direita para a disputa de 2026, anunciou que não será mais candidato. A decisão encerra meses de especulações e abre espaço para uma reorganização das forças políticas no DF, especialmente entre os partidos que compõem a base conservadora.


Ibaneis afirmou que pretende se afastar da disputa eleitoral para dedicar mais tempo à família e retomar sua atuação na advocacia. “Vou cuidar dos meus filhos e do meu escritório”, resumiu o ex-governador, colocando fim às expectativas de que concorreria a uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado.


A desistência acontece em meio aos desdobramentos das investigações relacionadas ao caso Banco Master. O inquérito apura a tentativa de aquisição da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB), negociação iniciada durante a gestão de Ibaneis no Governo do Distrito Federal. As investigações buscam esclarecer possíveis irregularidades envolvendo o processo de compra e a atuação de agentes públicos e privados. Até o momento, não há condenação judicial contra o ex-governador, e as apurações seguem em andamento.


Nos bastidores, a permanência de Ibaneis na disputa já vinha sendo tratada como incerta. Desde que Celina Leão (PP) assumiu o comando do Governo do Distrito Federal, após a desincompatibilização do então governador para disputar o Senado, a nova chefe do Executivo passou a conduzir sua pré-campanha com maior autonomia política.

O distanciamento entre os dois foi interpretado por aliados como uma estratégia para evitar que o debate eleitoral fosse contaminado pelos desdobramentos do caso Banco Master.
O cenário desenhado ainda em 2022 previa que Ibaneis seria o candidato ao Senado apoiado por Celina Leão, pelo MDB, pelo PL e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, o avanço das investigações alterou completamente o ambiente político. Com isso, a direita passou a concentrar suas atenções em outros nomes, entre eles a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL), que surgiram como alternativas para representar o campo conservador na disputa.


Mesmo esse novo desenho, porém, ainda pode sofrer mudanças. Michelle Bolsonaro tem dado sinais de que avalia a possibilidade de não disputar o Senado, principalmente após divergências internas dentro do Partido Liberal e do desgaste provocado pelas recentes disputas envolvendo a direção nacional da legenda. Caso isso se confirme, a composição da chapa da direita poderá passar por uma nova reconfiguração antes das convenções partidárias.


A saída de Ibaneis também produz efeitos sobre a estratégia eleitoral da governadora Celina Leão. Sem o ex-governador na urna, a tendência é que a atual chefe do Executivo concentre ainda mais o protagonismo da base governista na campanha de 2026. Ao mesmo tempo, partidos aliados precisarão redefinir alianças e ampliar negociações para preencher o espaço deixado por um dos principais líderes políticos do Distrito Federal nos últimos anos.


Especialistas avaliam que a desistência do ex-governador também deve provocar uma redistribuição do eleitorado conservador. Parte desses votos poderá migrar para outros candidatos alinhados à direita, enquanto outra parcela ainda deverá aguardar a definição oficial das chapas antes de decidir o voto.


Com as convenções partidárias se aproximando, o cenário permanece aberto. A retirada de Ibaneis da disputa não apenas altera a corrida pelas duas vagas ao Senado, mas também influencia diretamente a estratégia dos candidatos ao Governo do Distrito Federal. Em Brasília, onde alianças costumam ser decisivas, a saída de um dos principais protagonistas da política local inaugura uma nova fase das articulações para as eleições de 2026.

Mais recentes

Rolar para cima