A Polícia Federal (PF) cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, onde ele cumpre prisão domiciliar. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi motivada por uma divergência e discrepância de informações entre os relatórios oficiais e os dados apresentados pela defesa a respeito da quantidade e do paradeiro das armas de fogo registradas em seu nome.

Breno Esaki/Metrópoles
A operação estendeu-se por cerca de uma hora e meia, mas nenhum armamento ou munição foi encontrado no local.
A origem do impasse: Contagem de arsenal e erro em série
A necessidade da busca domiciliar decorreu de um desencontro de informações nos autos do processo após a cassação do registro de CAC (Caçador, Atirador e Colecionador) do ex-presidente e a ordem de recolhimento de seu arsenal.
O conflito de dados estruturou-se da seguinte forma:
A ordem inicial: O ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão e entrega integral de 11 armas que constavam nos registros oficiais vinculados ao ex-chefe do Executivo.
A manifestação da defesa: Os advogados de Bolsonaro recorreram apontando que, na verdade, o acervo totaliza 10 armas. Segundo a defesa, a discrepância nos relatórios decorreu de um erro material de duplicidade na identificação do número de série de um dos armamentos.
O relatório do Exército: O Comando do Batalhão de Polícia do Exército em Brasília entregou seis armas à PF que estavam sob sua custódia, informando que duas armas da lista encaminhada pelo STF não haviam sido localizadas em suas dependências, o que aumentou as dúvidas do Judiciário sobre onde os itens remanescentes estariam guardados.
O paradeiro das armas justificadas pela defesa
Diante da operação de varredura, a equipe jurídica do ex-presidente reiterou que já havia informado previamente e detalhadamente às autoridades a exata localização de cada item, justificando que não havia motivos para a busca presencial na residência.
O status atual do arsenal aponta que:
1. Sob custódia da PF: Seis armas transferidas pelo Exército e outras duas armas (uma carabina e uma pistola Caracal) que já haviam sido entregues à corporação em 2023 por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU).
2. Apreensão em Blitz: Uma pistola Glock 9mm está retida pela Polícia Civil do Distrito Federal após ter sido apreendida no mês passado com um sargento do Exército durante uma fiscalização de trânsito.
3. Na Importadora: Uma espingarda remanescente permanece retida fisicamente na sede de uma empresa importadora de artigos bélicos localizada no Rio Grande do Sul.
Reações políticas e constrangimento
O cumprimento do mandado gerou forte reação no núcleo político ligado ao ex-presidente. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manifestou-se publicamente criticando a medida, classificando-a como um “constrangimento” desnecessário e afirmando que a operação serviu apenas para checar fisicamente se os esclarecimentos por escrito prestados pelos advogados correspondiam à realidade.
Para o STF, a medida foi classificada como estritamente processual e indispensável para sanar as dúvidas técnicas e “afastar qualquer incerteza quanto à permanência de armamentos sob a posse, direta ou indireta, do condenado”.