A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, a Operação Slots, uma grande ofensiva para desarticular uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e exploração clandestina de jogos de azar e apostas on-line (as chamadas “bets” ilegais). A Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 951 milhões em bens, contas bancárias e ativos financeiros pertencentes aos investigados.

A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária em seis estados: Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Paraíba e Sergipe.
A engrenagem do esquema: Tráfico, influenciadores e intermediários
Segundo as investigações da PF, que contaram com o apoio técnico da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, o esquema funcionava como uma lavanderia profissional de recursos ilícitos:
A origem dos fundos: O dinheiro que alimentava a engrenagem vinha do tráfico de drogas. O grupo injetava os recursos clandestinos no circuito financeiro por meio da operação de plataformas de apostas não autorizadas.
Uso de influenciadores e “iscas”: A organização contratava influenciadores digitais conhecidos para promover os sites irregulares de apostas nas redes sociais. Essas plataformas de fachada usavam marcas e layouts visuais que simulavam as marcas do Ministério da Fazenda (como o Sigap) e do Conar para transmitir uma falsa sensação de segurança e legalidade aos apostadores.
Intermediadores de pagamento: Empresas de facilitação de pagamentos (fintechs e integradoras de Pix) eram utilizadas para pulverizar, transferir e dispersar os depósitos dos usuários rapidamente, dificultando o rastreamento das transações.
Prisões e sequestro de bens de luxo
Os alvos de prisão temporária expedidos pela Justiça são dois influenciadores digitais baseados no Espírito Santo. Até o momento, uma influenciadora foi presa pela PF, enquanto o outro investigado segue foragido.
Além do bloqueio bilionário nas contas correntes, a Justiça autorizou as seguintes medidas cautelares:
Sequestro de patrimônio: Apreensão de imóveis de alto padrão e frotas de carros de luxo que registravam evolução patrimonial incompatível com a renda declarada pelos suspeitos.
Asfixia de fachada: Suspensão imediata das atividades de 11 empresas utilizadas para a lavagem, além do bloqueio total de seus canais de atendimento e sites de apostas.
Corte de divulgação: Proibição imediata para que os investigados e parceiros promovam qualquer tipo de plataforma de apostas irregular ou jogo de azar nas redes.
O cerco do governo às apostas clandestinas
A Operação Slots insere-se em um contexto de repressão cada vez mais severa ao mercado cinzento de apostas no Brasil. No mês anterior, o governo federal assinou decretos que permitem o redirecionamento de fundos apreendidos de bets clandestinas diretamente para o Fundo Nacional de Segurança Pública.
As autoridades alertam que a exploração clandestina de jogos de azar sem o devido cadastro de conformidade (compliance) e registro na Secretaria de Prêmios e Apostas atrai o interesse direto de facções criminosas interessadas em legitimar capitais ilícitos de forma ágil através do Pix.