Uma nova operação da Polícia Federal (PF) sacudiu as estruturas da política fluminense e abriu uma crise no comitê de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ofensiva mira um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal operado por meio de redes de postos de combustíveis. O epicentro do desgaste político está no indiciamento e nas buscas realizadas contra o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), aliado histórico do clã Bolsonaro e nome central na montagem do palanque da direita no Rio de Janeiro.

O avanço das investigações gerou um alerta na cúpula do Partido Liberal (PL), que já avalia nos bastidores a necessidade de reestruturar as alianças majoritárias para evitar a contaminação da pré-candidatura presidencial do grupo.
O esquema nos postos e a blindagem da chapa
A investigação aponta que a rede de postos de combustíveis ligada a operadores do esquema era utilizada para injetar recursos de origem ilícita no mercado formal, misturando o faturamento real com valores fictícios para ocultar o patrimônio de organizações criminosas.
A entrada da PF no circuito desestabilizou o plano eleitoral devido ao peso de Canella na chapa majoritária:
Suplência Estratégica: Márcio Canella vinha sendo desenhado como candidato ao Senado em uma federação ou coligação ampla (União Brasil-PP) com o PL. A gravidade do caso é ampliada porque a mãe de Flávio Bolsonaro era cotada para ocupar a suplência em sua chapa, criando um vínculo direto de imagem entre as famílias.
Avaliação de Substituição: Diante do impacto da operação, integrantes do PL no Rio de Janeiro admitiram, sob reserva, que a substituição do nome de Canella na chapa passou a ser vista como uma saída “natural” e necessária para estancar o prejuízo político antes do início oficial do período de convenções.
Efeito cascata: A avalanche de investigações sobre aliados
A situação de Flávio Bolsonaro é considerada delicada por estrategistas políticos porque o caso de Canella se soma a uma série de outras operações recentes da PF que atingiram em cheio seu círculo de aliados mais próximos nos últimos meses:
O acúmulo de desgastes: Analistas apontam que o palanque do senador enfrenta um bombardeio em várias frentes. Recentemente, a PF realizou buscas contra o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o empresário Márcio Poncio, o senador Ciro Nogueira (no âmbito do Caso Master) e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante este último flagrado com dinheiro vivo escondido em livros falsos. Além disso, investigações sobre emendas parlamentares enviadas a ONGs ligadas ao caso Marielle Franco também mantêm a pressão sobre o gabinete do parlamentar.
A estratégia de resposta do clã Bolsonaro
Para tentar neutralizar o impacto doméstico da operação, Flávio Bolsonaro recalibrou sua agenda e buscou focar o debate público em pautas internacionais e institucionais. O senador cumpre agenda nos Estados Unidos, participando de audiências públicas sobre comércio bilateral e tarifas alfandegárias.
A assessoria de Flávio informou que ele não comentará investigações que correm sob sigilo e que envolvam terceiros, ressaltando que sua atuação parlamentar é pautada pela legalidade. Contudo, interlocutores no Rio admitem que o “fogo amigo” e o cerco patrimonial contra operadores financeiros locais forçarão a oposição ao governo federal a entrar na disputa eleitoral com um palanque bem menos estável do que o planejado originalmente.
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