A Polícia Federal realizou uma nova etapa da Operação Polaridade nesta segunda-feira (28), resultando na apreensão de quatro fuzis de calibre 7,62 mm. O armamento de alto poder de fogo foi localizado em uma transportadora que prestava serviços para o grupo investigado por irregularidades na aquisição e no registro de armas de fogo no Brasil. A ação reforça o cerco contra esquemas que utilizam brechas administrativas para desviar armamentos pesados.
As investigações apontam que o grupo utilizava processos fraudulentos para obter registros destinados a Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores, categoria conhecida pela sigla CACs. Com a nova apreensão, o balanço total da operação já contabiliza nove fuzis, cinco pistolas e dezenas de carregadores retirados de circulação, evidenciando a escala da logística criminosa operada pelos suspeitos.
Logística e apreensão de armamento pesado em transportadora
A localização dos quatro fuzis em uma empresa de transporte demonstra a complexidade da rede de distribuição utilizada pelos investigados. O calibre 7,62 mm é conhecido por sua alta letalidade e longo alcance, sendo um item de interesse constante para organizações criminosas. A Polícia Federal busca agora identificar se a transportadora tinha ciência do conteúdo das cargas ou se era utilizada de forma involuntária no esquema.
Além das armas longas, as autoridades recolheram dezenas de carregadores, componentes essenciais para a operação contínua desse tipo de armamento. A perícia técnica será realizada para rastrear a origem fabril das peças e verificar se os números de série coincidem com os registros fraudulentos identificados no sistema Sinarm-CAC, que é o foco central da auditoria policial.
Fraudes no sistema Sinarm-CAC e o controle de armas
A Operação Polaridade concentra seus esforços em desarticular fraudes em processos administrativos dentro do sistema Sinarm-CAC. Segundo a Polícia Federal, os criminosos manipulavam documentos e informações para facilitar a compra legalizada de armas que, posteriormente, poderiam ser desviadas para finalidades ilícitas. Esse tipo de fraude compromete a segurança pública ao inserir armas de guerra em contextos urbanos sob o disfarce de colecionismo ou esporte.
O monitoramento desses registros é uma das prioridades das forças de segurança para evitar que o mercado legal de armas sirva de suprimento para o crime organizado. As investigações continuam para detalhar como os processos eram burlados e se havia a participação de agentes facilitadores dentro dos órgãos de controle ou em despachantes especializados em armamentos.
Histórico da Operação Polaridade no Rio e Espírito Santo
A primeira fase da ofensiva foi deflagrada em 4 de setembro, quando foram cumpridos 20 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão. O raio de ação da Polícia Federal abrangeu diversos municípios do estado do Rio de Janeiro e a cidade de Vila Velha, no Espírito Santo. Naquela ocasião, as autoridades já haviam identificado a capilaridade do grupo e a necessidade de intervenções pontuais para interromper o fluxo de armas.
O desdobramento atual é fruto da análise de materiais apreendidos anteriormente e de depoimentos colhidos durante a fase ostensiva. A Polícia Federal reitera que as investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos, desde os financiadores da compra das armas até os responsáveis pela falsificação documental, visando o completo desmantelamento da estrutura criminosa.