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SILÊNCIO DO MINISTÉRIO DA CULTURA LEVA MPF A ABRIR INQUÉRITO SOBRE CACHÊ DE MINISTRA

SILÊNCIO DO MINISTÉRIO DA CULTURA LEVA MPF A ABRIR INQUÉRITO SOBRE CACHÊ DE MINISTRA

9 de julho de 2026

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil formal para investigar o pagamento de um cachê de R$ 290 mil à ministra da Cultura, Margareth Menezes, por uma apresentação musical realizada no Carnaval. A decisão de abrir a investigação de forma oficial ocorreu após a pasta da Cultura e a própria ministra não responderem satisfatoriamente aos pedidos preliminares de esclarecimento enviados pelo órgão de controle.


Foto: Assessoria de Comunicação Damares Alves

O cerne da investigação apura um suposto conflito de interesses e o uso indireto de mecanismos de fomento público, uma vez que a empresa responsável pela contratação da artista possui projetos autorizados a captar recursos por meio da Lei Rouanet.

O foco da suspeita: Lei Rouanet e conflito de interesses

A representação que deu origem ao caso questiona a legalidade e a ética da transação comercial que envolveu a ministra do governo federal:

 A Contratação: Margareth Menezes recebeu R$ 290 mil para se apresentar no trio elétrico do bloco Os Mascarados, em Salvador.

 O Vínculo de Fomento: A polêmica reside no fato de que a produtora responsável pelo bloco obteve autorização do próprio Ministério da Cultura para captar recursos via Lei Rouanet para múltiplos projetos sob sua gestão.

 A Linha de Investigação: O MPF busca esclarecer se houve favorecimento político ou administrativo na liberação dos projetos da empresa em troca da contratação artística da ministra, o que configuraria desvio de finalidade e infração aos princípios da impessoalidade e moralidade administrativa.

O silêncio da pasta e a abertura do inquérito

Antes de converter o procedimento em inquérito civil, o Ministério Público havia solicitado informações detalhadas ao Ministério da Cultura e à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

A justificativa para a abertura: Diante da ausência de respostas conclusivas e do envio intempestivo de esclarecimentos por parte da pasta da Cultura, o procurador responsável pelo caso determinou a abertura da investigação formal para garantir o acesso a notas fiscais, contratos de patrocínio e atas de aprovação de projetos de fomento.

A defesa da ministra e do bloco

Quando as primeiras suspeitas vieram a público, a ministra Margareth Menezes rechaçou qualquer hipótese de irregularidade e classificou as denúncias de opositores como “perseguição política” para desgastar sua gestão.

A linha de defesa da ministra e dos organizadores do evento sustenta que:

1. Recursos Privados: O cachê pago à cantora foi integralmente custeado com recursos privados de patrocinadores diretos do bloco de Carnaval, sem qualquer centavo proveniente de verbas captadas via Lei Rouanet ou repasses federais diretos.

2. Histórico Profissional: Margareth Menezes possui uma carreira artística consolidada de décadas, anterior à sua nomeação política, e sua contratação seguiu os valores de mercado habituais para o período festivo.

3. Aval de Ética: A defesa alega que as atividades artísticas privadas da ministra foram previamente submetidas à consulta da Comissão de Ética Pública da Presidência, que teria dado aval para apresentações pontuais, desde que não houvesse conflito com a agenda ministerial.

Com a abertura do inquérito do MPF, a Polícia Federal e auditores federais poderão ser acionados para cruzar as contas bancárias da produtora e atestar a real origem do dinheiro que quitou o cachê.

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