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CÂMARA DOS DEPUTADOS APROVA PEC QUE REDUZ A MAIORIDADE PENAL PARA 16 ANOS

CÂMARA DOS DEPUTADOS APROVA PEC QUE REDUZ A MAIORIDADE PENAL PARA 16 ANOS

10 de junho de 2026

A Câmara dos Deputados aprovou, em uma votação histórica e de intensa repercussão política, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil. O texto aprovado foca em critérios específicos, aplicando a redução da idade de responsabilidade criminal penal somente para casos de crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

A aprovação da matéria altera um dos pilares do ordenamento jurídico e da proteção infanto-juvenil do país, que vigorava desde a promulgação da Constituição de 1988, e joga os holofotes sobre o sistema de segurança pública e a eficácia das medidas socioeducativas.


Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados

O escopo da proposta aprovada e os critérios adotados

A aprovação ocorreu por meio de um texto aglutinador que buscou um consenso entre as alas mais conservadoras e moderadas do parlamento. As regras estabelecidas pela PEC determinam que:

 Restrição a Crimes Graves: A redução para 16 anos não será aplicada de forma generalizada para qualquer infração. Jovens nessa faixa etária responderão como adultos na Justiça comum apenas se cometerem crimes Hediondos (como estupro e latrocínio), homicídio doloso (quando há intenção de matar) ou lesão corporal seguida de morte.

 Cumprimento de Pena Separado: O texto estabelece a obrigatoriedade de que os jovens de 16 e 17 anos condenados cumpram suas penas em estabelecimentos prisionais totalmente separados dos presos adultos de mais de 18 anos, visando evitar o contato direto com o crime organizado tradicional nas penitenciárias.

 Manutenção do ECA para os demais casos: Para furtos, roubos simples, tráfico de entorpecentes comum e demais delitos que não envolvam a violência letal prevista no texto, os jovens continuarão sob as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sujeitos a medidas socioeducativas de internação.

O embate de visões: Segurança Pública vs. Direitos Humanos

A votação no plenário foi marcada por debates acalorados e protestos de galerias ocupadas por movimentos estudantis e entidades sociais.

Por um lado, os defensores da redução da maioridade penal argumentam que a legislação brasileira estava defasada frente ao aumento da participação de jovens na criminalidade violenta. Lideranças da bancada da segurança pública sustentam que, aos 16 anos, o cidadão já possui pleno discernimento sobre a gravidade de seus atos, inclusive tendo o direito de votar. Sob essa ótica, a impunidade ou a aplicação de penas socioeducativas brandas serviam como incentivo para que facções criminosas utilizassem menores de idade na linha de frente de execuções e assaltos.

Por outro lado, parlamentares de partidos de esquerda, juristas e entidades internacionais de direitos humanos criticam duramente a medida. Eles alegam que a redução viola cláusulas pétreas da Constituição e tratados internacionais assinados pelo Brasil. Os opositores da PEC apontam que o sistema prisional brasileiro, conhecido pela superlotação e pela falta de estrutura de ressocialização, não será capaz de recuperar esses jovens, funcionando apenas como uma “escola do crime” e aumentando os índices de reincidência a longo prazo. Defendem que a solução ideal seria a ampliação do tempo máximo de internação do ECA e investimentos em educação integral.

Próximos passos e o rito legislativo

Por se tratar de uma alteração no texto constitucional, a matéria ainda não entra em vigor imediatamente. A PEC precisa agora ser enviada ao Senado Federal, onde passará por uma nova análise detalhada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser submetida a duas rodadas de votação no plenário daquela Casa, necessitando também do apoio de três quintos dos senadores para ser definitivamente promulgada.

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