Em “Dia D”, Steven Spielberg retorna ao gênero que o consagrou a ficção científica com toques de assombro e otimismo e entrega um dos seus trabalhos mais ambiciosos dos últimos anos.
O filme (título original Disclosure Day) transforma a revelação da existência de vida extraterrestre em um thriller global urgente, cheio de perseguições, emoção e questionamentos profundos sobre verdade, poder e humanidade.
Uma meteorologista (Emily Blunt) vive um evento inexplicável durante uma transmissão ao vivo, que desencadeia fenômenos estranhos pelo planeta, paralelamente, um especialista em cibersegurança (Josh O’Connor) rouba evidências de décadas de encobrimento governamental sobre contato alienígena, juntos, eles correm contra o tempo enquanto segredos militares vêm à tona, gerando pânico, fascínio e uma crise civilizacional, o elenco conta ainda com Colin Firth, Eve Hewson e Colman Domingo.

Spielberg, aos 79 anos, prova mais uma vez por que é o mestre do cinema de espetáculo, a direção de fotografia de Janusz Kamiński e a trilha de John Williams (em grande forma aos 94 anos) criam sequências de tirar o fôlego, há perseguições e momentos de puro “maravilhamento ” que remetem a Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T., mas atualizados para a era das conspirações, redes sociais e pós-verdade.

Emily Blunt entrega uma performance de carreira como Margaret Fairchild, vulnerável, corajosa e magnética, seu arco emocional carrega o filme, equilibrando o caos global com intimidade, Josh O’Connor compõe um companheiro convincente, e Colin Firth surge como antagonista complexo.
O roteiro de David Koepp (parceiro recorrente de Spielberg) mistura ação, drama familiar, humor e filosofia sem perder o ritmo, o filme acerta ao tratar o tema alienígena não como invasão bélica, mas como um espelho da humanidade: como reagimos quando o “outro” se revela? Segredos de Estado, controle narrativo e o direito à verdade são debatidos com inteligência e otimismo “Spielberguiano”

Com 2h25min, o longa às vezes tropeça no excesso de explicações e subtramas. Alguns momentos de exposição podem soar didáticos, e o tom oscila entre thriller conspiratório clichês irritantes, não é o filme mais inovador do diretor tematicamente, mas compensa com execução impecável.

Dia D é cinema de blockbuster no seu melhor: entretém, emociona e faz pensar, Spielberg não apenas conta uma história de aliens, ele celebra o poder das imagens, da verdade e da conexão humana em um mundo cético.

Um dos melhores filmes de 2026 até agora e um lembrete de por que o tio Steven continua insubstituível.
Nota 4.5/5