PUBLICIDADE

Caso Fifagate: Réus argentinos confessam subornos na Justiça dos EUA e encerram anos de fuga

Hugo e Mariano Jinkis, ex-controladores da agência Full Play, admitiram repasses milionários a dirigentes sul-americanos para garantir contratos da Copa América.
Paralelamente às disputas políticas internas na Fifa, o cenário judicial que envolve a entidade teve um desdobramento definitivo nos Estados Unidos. Os empresários argentinos Hugo Jinkis (81 anos) e Mariano Jinkis (51 anos) firmaram um acordo de suspensão condicional do processo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) [NYT].
Confissão de subornos milionários

Conforme documentos do tribunal do Brooklyn, os ex-controladores da agência Full Play admitiram o pagamento de dezenas de milhões de dólares em subornos a autoridades do futebol sul-americano. Os repasses, ocorridos entre as décadas de 1990 e 2015, visavam garantir direitos de transmissão e patrocínio da Copa América. O acordo permite que ambos evitem a prisão após anos de processo.

O Histórico das Condenações de Dirigentes Brasileiros

A confissão dos executivos da Full Play se conecta diretamente ao destino dos principais nomes do futebol brasileiro investigados no mesmo esquema pelo DOJ em 2015 [9FI]:
  • José Maria Marin (Ex-presidente da CBF): Foi preso em Zurique em 2015 e condenado em Nova York em 2017 a quatro anos de prisão por organização criminosa, fraude e lavagem de dinheiro. Marin cumpriu parte da pena nos EUA e recebeu liberdade compassiva em 2020 devido à idade e à saúde.
  • Marco Polo Del Nero (Ex-presidente da CBF): Foi indiciado formalmente pelos EUA em 2015 [9FI]. Nunca foi extraditado por restrições da Constituição Brasileira, mas foi banido perpetuamente do futebol pela Fifa.
  • Ricardo Teixeira (Ex-presidente da CBF): Também indiciado pela Justiça americana no esquema de recebimento de propinas [9FI]. Permaneceu no Brasil e não enfrentou julgamento em solo americano, mas sofreu banimento definitivo da Fifa.

A Reação e a Situação Atual da Conmebol

Após o escândalo estourar em 2015, a Conmebol passou por uma reformulação institucional para romper com o passado:
  • Rompimento de Contratos: A Conmebol rescindiu formalmente e de forma unilateral todos os contratos de direitos de transmissão e marketing que mantinha com a Full Play e com a Datisa (consórcio do qual a Full Play fazia parte).
  • Processos de Recuperação: Em seus balanços oficiais, a Conmebol reportou ter recuperado judicialmente mais de US$ 150 milhões que haviam sido desviados em esquemas de corrupção ou que estavam retidos em contas bancárias nos EUA e na Suíça.
  • Modelo Atual: Os direitos da Copa América (incluindo as edições recentes e as próximas) passaram a ser comercializados por meio de concorrências e licitações abertas de mercado, auditadas externamente, sem a intermediação de agências sob investigação.

Veja também