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Do Desenho à Realidade: “Moana” em Live-Action Encanta no Visual, Mas Esbarra na Falta de Novidade

Do Desenho à Realidade: “Moana” em Live-Action Encanta no Visual, Mas Esbarra na Falta de Novidade

10 de julho de 2026

Apenas dez anos após a animação original que se tornou um clássico instantâneo da Disney e menos de dois anos após o lançamento da sequência nos cinemas, chega às telonas a versão em live-action de Moana.

Dirigido por Thomas Kail (Hamilton), o longa assume a complexa missão de traduzir a magia fluida dos mares digitais e a expressividade dos desenhos para o peso do mundo real, o resultado é um espetáculo visual inegável, mas que deixa no ar a incansável pergunta que persegue os remakes da Disney: ele realmente precisava existir?

Se havia alguma dúvida sobre como a equipe de produção lidaria com o oceano que funciona como um personagem vivo na trama, o design de produção de John Myhre e a fotografia acalentam os olhos, diferente de produções recentes da Disney que sofreram com o visual escuro e cinzento, Moana (2026) brilha com uma paleta de cores viva e solar.

As filmagens em locações reais no Havaí dão um respiro orgânico indispensável para a narrativa, transportando o espectador para a imensidão da Polinésia de forma muito mais tátil do que o filme de 2016 conseguia fazer.

O grande acerto do longa está na escalação de Catherine Laga’aia, de 19 anos, no papel principal, assumindo o manto que foi de Auliʻi Cravalho, a jovem atriz entrega uma Moana obstinada e com um alcance vocal impressionante sua performance na icônica balada “How Far I’ll Go” (Saber Quem Sou) é um dos pontos altos do filme, mantendo o arrebatamento da versão original.

Do outro lado da canoa, Dwayne “The Rock” Johnson reprisa o papel do semideus Maui, agora de corpo presente, embora a química de Johnson com Laga’aia funcione e seu carisma natural de showman segure o ritmo do meio do filme, a transição para o live-action cobra seu preço, algumas piadas e expressões corporais que pareciam perfeitamente naturais na elasticidade da animação soam engessadas quando reproduzidas por um ator de carne e osso.

O roteiro, coescrito por Jared Bush e Dana Ledoux Miller, opta pela rota mais segura possível, a estrutura acompanha quadro a quadro a jornada da filha do chefe que precisa cruzar o recife para devolver o coração da deusa Te Fiti e salvar sua ilha da destruição.

Músicas consagradas como “Brilhe”, interpretada novamente com maestria digital por Jemaine Clement no papel do caranguejo gigante Tamatoa, e as canções vibrantes de Lin-Manuel Miranda continuam sendo o motor emocional do longa, no entanto, a extrema fidelidade ao material original priva o público de qualquer senso de surpresa ou inovação.

Para as novas gerações de crianças que talvez não tenham crescido com o desenho de 2016, o novo Moana funcionará como uma aventura épica, visualmente deslumbrante e cheia de representatividade.
Para nós, os mais velhos, fica o sentimento de um “déjà vu” de luxo, é um filme bonito e competente, mas que navega em águas excessivamente seguras.


Nota 3.5/5

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