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EMPRESA SANCIONADA PELOS EUA RECEBEU R$ 514 MILHÕES DE REDE LIGADA AO “CARECA DO INSS”

EMPRESA SANCIONADA PELOS EUA RECEBEU R$ 514 MILHÕES DE REDE LIGADA AO “CARECA DO INSS”

2 de julho de 2026

As investigações sobre lavagem de dinheiro e crime organizado ganharam um novo e surpreendente capítulo de repercussão internacional. Cruzamentos de relatórios financeiros revelaram que a Victory Trading, uma das empresas brasileiras recentemente sancionadas pelo governo de Donald Trump por supostos elos com a engrenagem financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC), recebeu R$ 514,5 milhões em apenas um ano. O montante partiu diretamente da Wave Intermediações, empresa apontada como um dos nós centrais da bilionária rede de lavagem operada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.


O ex-diretor do INSS Alexandre Guimarães admitiu que a empresa do ‘Careca do INSS’ era sua única cliente Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Os dados, compartilhados com órgãos de controle, integram os relatórios da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que mapeou uma rede financeira subterrânea responsável por movimentar mais de R$ 39 bilhões.

O fluxo do dinheiro: Empresas de fachada e o “laranja de Jaçanã”

O avanço das investigações da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal detalhou como grandes volumes de capital circulavam rapidamente entre CNPJs para ocultar sua real origem. O caso que liga a sanção de Washington ao esquema de fraudes previdenciárias expõe duas pontas fundamentais:

 O Repasse Milionário: A Wave Intermediações peça estrutural na lavagem do “Careca do INSS” efetuou as transferências de R$ 514 milhões para a Victory Trading (controlada pelo empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo do Tesouro americano).

 A Confissão do Campo de Futebol: Em depoimento prestado à polícia paulista, a proprietária nominal de outra firma ligada a esse cinturão financeiro (a ACX e TC, que também girou bilhões) confessou ser uma testa de ferro. Ela relatou ter aceitado ceder seus dados pessoais em um campo de futebol no bairro do Jaçanã, na Zona Norte de São Paulo, em troca de um pagamento único de R$ 5.000.

 Padrão de Vida Incompatível: Outro corréu do esquema, que formalmente ostentava o controle de uma firma com capital social de R$ 101 milhões, morava em uma habitação simples no mesmo bairro e foi beneficiário de parcelas do Auxílio Emergencial durante a pandemia, evidenciando o uso de laranjas de baixa renda para blindar os verdadeiros chefes do esquema.

A rede de R$ 39 bilhões e os elos cruzados

A CPMI do INSS apurou que a estrutura montada pelo “Careca do INSS” (preso desde o ano passado na esteira da Operação Sem Desconto) deixou de ser apenas um golpe contra aposentados e pensionistas. A engenharia bancária desenvolvida por seus operadores tornou-se uma espécie de “estrutura de lavagem terceirizada”, utilizada por múltiplos atores do colarinho branco e do crime organizado.

Efeito cascata nas investigações: A descoberta deste repasse de R$ 514 milhões entre a rede do INSS e a empresa sob sanção dos EUA unifica três grandes eixos de investigação no Brasil: as fraudes consignadas contra idosos, o Caso Master (que apura desvios e movimentações financeiras atípicas no sistema bancário) e as operações ostensivas que miram a infiltração de facções criminosas na economia legítima.

O impacto internacional e a reação das autoridades

A inclusão dessas empresas na lista negra do Departamento do Tesouro dos EUA (lista SDN) acelera o isolamento financeiro do grupo no exterior. Como a rede agora está formalmente conectada a suspeitas de lavagem de ativos transnacionais, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central do Brasil devem intensificar os alertas de bloqueio de contas.

A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que atualmente contesta no STF as pressões sofridas no sistema prisional a respeito de uma possível delação premiada, sustenta que suas atividades empresariais são lícitas. Já os representantes das firmas de intermediação e comércio atingidas pela sanção americana afirmam que os repasses correspondem a operações comerciais regulares de mercado e que as justificativas contábeis serão enviadas tanto ao Judiciário brasileiro quanto às autoridades de conformidade internacional.

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