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MENSAGENS MOSTRAM QUE MULHER DE ALEXANDRE DE MORAES ENVIOU MINUTA DE CONTRATO DE R$ 129 MILHÕES DIRETAMENTE A DANIEL VORCARO

MENSAGENS MOSTRAM QUE MULHER DE ALEXANDRE DE MORAES ENVIOU MINUTA DE CONTRATO DE R$ 129 MILHÕES DIRETAMENTE A DANIEL VORCARO

2 de julho de 2026

Novos desdobramentos nas investigações da Polícia Federal (PF) trouxeram à tona diálogos que detalham as negociações financeiras entre o Caso Master e o escritório de advocacia da família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Mensagens obtidas pela PF no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revelam que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, enviou diretamente ao WhatsApp do empresário a minuta de um contrato de honorários advocatícios estipulado em R$ 129 milhões.


Escritório da esposa de Alexandre de Moraes tinha contrato com Banco Master. Foto: Divulgação

A troca de mensagens ocorreu no início de 2024 e expõe os termos formais da contratação, que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões.

Os diálogos obtidos pela Polícia Federal

O relatório da PF, divulgado pela imprensa nacional, identificou comunicações diretas realizadas em janeiro de 2024. A sequência das mensagens recuperadas pelos peritos digitais mostra o seguinte teor:

 17 de janeiro de 2024: Viviane Barci de Moraes escreve para o celular de Daniel Vorcaro: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”, anexando em seguida o arquivo digital do documento.

 22 de janeiro de 2024: Cinco dias depois, o banqueiro responde à mensagem: “Oi, tudo bem? Como podemos proceder na assinatura? Prefere eletronicamente ou mando as vias físicas assinadas?”.

O montante total do contrato chamou a atenção dos investigadores do caso pelo fato de o nome da advogada figurar formalmente em poucos processos judiciais de contencioso envolvendo a instituição financeira. No mesmo escritório também atuam os dois filhos do ministro Alexandre de Moraes. Ao todo, cerca de R$ 80,2 milhões chegaram a ser efetivamente pagos ao escritório antes que os repasses fossem interrompidos em decorrência da liquidação e intervenção na operadora de crédito.

O escopo da prestação de serviços jurídicos

De acordo com as cláusulas contidas na minuta do contrato, o escritório de advocacia Barci de Moraes foi contratado para realizar o acompanhamento estratégico e a defesa dos interesses corporativos do Banco Master perante órgãos federais do primeiro escalão e as seguintes esferas institucionais:

1. Poder Executivo: Atuação consultiva e contenciosa junto ao Banco Central (BC), à Receita Federal, à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

2. Poder Legislativo: Monitoramento técnico e interlocução institucional no Congresso Nacional, com o acompanhamento próximo de projetos de lei e reformas fiscais de interesse direto do setor bancário.

3. Instâncias Judiciais e de Controle: Defesa corporativa no âmbito do Ministério Público, da Polícia Judiciária (Polícia Federal) e das instâncias ordinárias do Poder Judiciário.

O posicionamento oficial do escritório de advocacia

Em nota oficial emitida para esclarecer os fatos após a publicação das mensagens, o escritório de Viviane Barci de Moraes confirmou a prestação de serviços ao Banco Master no período compreendido entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.

A defesa da banca argumenta que o contrato envolveu uma operação complexa de ampla consultoria jurídica e auditoria corporativa. Segundo a nota, o trabalho foi executado por um corpo técnico robusto de 15 advogados do próprio escritório, além da subcontratação de outras três bancas de advocacia que atuaram sob a sua coordenação unificada.

O comunicado ressalta que a equipe realizou 94 reuniões formais de trabalho (sendo 79 presenciais na sede do banco e duas por videoconferência) junto à presidência, superintendências e corpo jurídico do Banco Master. Além disso, o escritório enfatizou que foram produzidos 36 pareceres formais e opiniões legais abrangendo áreas trabalhistas, previdenciárias, tributárias e de compliance (revisão de códigos de ética). Por fim, a nota reitera categoricamente que o escritório nunca conduziu nenhuma causa ou atuou em processos em nome do Banco Master perante o STF.

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