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LULA COMPRA BRIGA COM TRUMP E COMPARA COBRANÇA EM ORMUZ A “PIRATARIA”

LULA COMPRA BRIGA COM TRUMP E COMPARA COBRANÇA EM ORMUZ A “PIRATARIA”

13 de julho de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a política externa de Washington e abriu uma crise diplomática direta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante uma agenda oficial no estado de São Paulo, Lula classificou como “pirataria” a proposta anunciada por Trump de assumir o controle militar do Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa de 20% sobre as mercadorias e o petróleo de todas as embarcações que cruzarem a região.


Presidente Lula — Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena/Agência O Globo

O Estreito de Ormuz é considerado a artéria mais vital do comércio de energia global, localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde escoa cerca de um quinto de todo o consumo mundial de petróleo.

O estopim: A proposta do “Pedágio de Segurança” dos EUA

A reação contundente de Lula ocorreu logo após Donald Trump publicar em suas redes sociais que os Estados Unidos atuarão como os “guardiões” definitivos daquela hidrovia, alegando a necessidade de desobstruir os bloqueios navais impostos pelo Irã e estabilizar a rota.

A lógica da proposta americana e o contra-ataque brasileiro estruturam-se da seguinte forma:

 O anúncio de Trump: O presidente americano afirmou que, para cobrir os enormes custos operacionais e de segurança das forças navais dos EUA no Oriente Médio, as embarcações seriam taxadas em 20% do valor total da carga transportada.

 A resposta de Lula: O mandatário brasileiro rebateu a declaração de forma irônica e agressiva. “Isso antigamente chamava-se pirataria. Um Estado importante como os Estados Unidos, que durante muito tempo combateu a pirataria, não pode agora virar pirata”, declarou o petista.

O impacto econômico e as críticas ao conflito

Além de contestar a legalidade internacional da medida uma vez que passagens marítimas naturais e internacionais não são passíveis de pedágios por nações estrangeiras, Lula aproveitou o palanque para culpar as ações militares norte-americanas pelo aumento do custo de vida na América Latina.

A inflação no prato do brasileiro: O presidente brasileiro argumentou que o acirramento das tensões provocadas pelos EUA no Golfo Pérsico pressiona o preço internacional do barril de petróleo. Segundo ele, os reflexos econômicos dessa disputa já atingem o bolso do cidadão comum. “O preço da guerra está chegando no preço do feijão aqui no Brasil. Está chegando no preço do arroz, do tomate, da cebola, porque tornou o combustível mais caro”, queixou-se.

Lula foi além e comparou os argumentos da atual crise com o Irã às justificativas dadas por Washington para a invasão do Iraque em 2003, afirmando que as potências ocidentais “inventaram” que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa.

O xadrez dos Biocombustíveis como alternativa

Para contrapor o domínio geopolítico do petróleo e a instabilidade das rotas do Oriente Médio, o governo brasileiro defendeu uma aceleração global na transição energética. Durante a mesma agenda, Lula conclamou o Brasil a liderar uma mobilização internacional voltada à ampliação do uso e da exportação de biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel.

Na visão do Planalto, reduzir a dependência das grandes potências em relação ao petróleo das zonas de conflito é a única saída de longo prazo para blindar as economias em desenvolvimento de crises inflacionárias geradas por decisões unilaterais das superpotências.

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