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TARIFAÇO DOS EUA REPERCUTE, MAS TAXAS DA CHINA DE ATÉ 67% SÃO IGNORADAS PELO GOVERNO

TARIFAÇO DOS EUA REPERCUTE, MAS TAXAS DA CHINA DE ATÉ 67% SÃO IGNORADAS PELO GOVERNO

13 de julho de 2026

O cenário do comércio exterior brasileiro entrou no centro de um intenso debate político e econômico. Enquanto o Palácio do Planalto e a diplomacia nacional reagiram com forte preocupação pública aos anúncios de barreiras comerciais e tarifas alfandegárias propostas pelos Estados Unidos, o setor produtivo nacional critica o que chama de “silêncio seletivo” do governo federal diante das taxas de importação de até 67% aplicadas pela China sobre produtos manufaturados e agroindustriais brasileiros.

Analistas de mercado apontam que a disparidade no tom das reações governamentais reflete o alinhamento geopolítico e a dependência econômica do Brasil em relação ao seu maior parceiro comercial na Ásia.

O barulho em Washington vs. o silêncio em Pequim

A assimetria na política externa brasileira para o comércio com as duas maiores potências econômicas do globo tem gerado críticas de entidades industriais e parlamentares de oposição.

O contraste de posicionamentos estrutura-se da seguinte forma:

 A reação aos EUA: As recentes ameaças de sobretaxas e barreiras protecionistas vindas de Washington — com forte apelo eleitoral americano — foram recebidas com discursos duros por parte de ministros e pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo brasileiro acionou equipes técnicas para contestar as medidas e discursou em fóruns internacionais contra o “protecionismo unilateral” que ameaça exportações brasileiras de aço e derivados.

 A vista grossa para a China: Por outro lado, o governo adota uma postura de extrema cautela e omissão pública sobre o robusto sistema de barreiras tarifárias impostas por Pequim. A China aplica alíquotas que chegam a 67% sobre determinados produtos industrializados, biocombustíveis e derivados do agronegócio vindos do Brasil, inviabilizando a entrada de produtos com maior valor agregado na esteira de consumo chinesa.

A armadilha da desindustrialização: Economistas alertam que a complacência do governo com as altas taxas chinesas perpetua o modelo de “fazenda do mundo”. A China reduz a zero ou taxa minimamente a soja em grão e o minério bruto, mas eleva as tarifas ao patamar máximo se o Brasil tentar exportar o óleo de soja refinado ou o aço processado, protegendo suas próprias indústrias e sufocando o parque fabril brasileiro.

Pressão do setor produtivo por reciprocidade

Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e frentes parlamentares do empreendedorismo cobram do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) uma postura de maior firmeza e reciprocidade nas negociações bilaterais com o governo chinês.

O argumento do setor produtivo é de que o mercado brasileiro abriu as portas de forma agressiva para os produtos manufaturados e plataformas de e-commerce chinesas, enquanto o exportador brasileiro de bens de consumo enfrenta um labirinto regulatório e um paredão fiscal para acessar os consumidores asiáticos. Para as lideranças industriais, a diplomacia comercial do país deveria priorizar a derrubada dessas barreiras de até 67% em vez de concentrar o capital político apenas no embate retórico contra as barreiras norte-americanas.

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