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O Grande Circo de Quinta-Feira: Entre Promessas Mágicas, Castração de Gatos e a Folga dos Favoritos

Mais uma quinta-feira normal no hospício eleitoral brasileiro, onde candidatos à Presidência se desdobram em performances que oscilam entre o messianismo de horário nobre e a pura irrelevância de nicho. O menu do dia entregou exatamente o que o eleitorado aprendeu a tolerar: promessas intangíveis, passeios calculados por feiras e um esforço hercúleo para parecer que se importam com a realidade fora das bolhas de suas assessorias.

No topo do ecossistema, Luiz Inácio Lula da Silva reservou a noite para o ritual sagrado da sabatina na TV Globo. Horas antes do show televisivo, correu para as redes sociais para garantir que o salário mínimo subirá acima da inflação num passe de mágica econômica, uma daquelas certezas confortáveis que só quem não precisa fechar as contas reais do Orçamento consegue sustentar sem gaguejar.

No extremo oposto do espectro pragmático, Renan Santos usou os microfones da imprensa tradicional para pregar a extinção da Justiça do Trabalho. Com o entusiasmo típico de quem provavelmente nunca precisou bater ponto, classificou a discussão sobre o fim da escala 6×1 como uma “pauta perigosíssima”, deixando claro que, em sua utopia de mercado, o descanso do trabalhador é o verdadeiro inimigo da produtividade nacional.

Enquanto isso, Romeu Zema calçou as botinas para vistoriar uma ponte no norte de Minas Gerais. Entre um bloco de concreto e outro, recitou o manjado mantra do agronegócio eficiente “da porteira para dentro” e caro “da porteira para fora”, personificando o gerente de província que insiste em tratar um país continental com a lógica de uma cooperativa de laticínios.

Ronaldo Caiado preferiu o clássico roteiro do turismo hospitalar em São Paulo, prometendo reajustes na tabela do SUS com a facilidade de quem distribui panfletos. Terminada a encenação humanitária, pegou um voo rápido para o Rio de Janeiro para participar do lançamento de candidatura alheia, mostrando que a saúde pública, no fundo, serve mesmo é de escala técnica para o palanque político.

Do lado da esquerda que não vê a cor do fundo partidário, o dia foi de persistência quase folclórica. Rui Costa Pimenta debateu a geopolítica do Irã e da Alemanha no conforto de seu bunker no YouTube, enquanto Samara Martins gastava a sola do sapato no asfalto quente de Recife, agitando bandeiras para um eleitorado muito mais preocupado em garantir o almoço do que em debater a revolução proletária.

Já Edmilson Costa, do PCB, demonstrou o pragmatismo da sobrevivência midiática ao cancelar uma caminhada por uma ocupação popular para priorizar uma entrevista na Globo. É a velha e conhecida máxima revolucionária brasileira: a causa dos desabrigados é importantíssima, mas o tempo de tela na emissora burguesa é prioridade de segurança nacional.

Na ala das bizarrices temáticas, Wilson Grassi gastou seu precioso tempo de campanha presidencial visitando um gatil e acompanhando mutirões de castração de pets na Grande São Paulo. Uma pauta nobilíssima para uma subprefeitura de bairro, mas que na corrida para o Palácio do Planalto faz parecer que o Brasil precisa de um veterinário-geral da República em vez de um chefe de Estado.

Em Cuiabá, Clariana Barão seguiu o manual básico do candidato nanico sem verba, fazendo o “tour da caridade” que incluiu feira livre, abrigo de idosos e hospital de câncer em uma única tarde. No polo do desinteresse absoluto, Flávio Bolsonaro e o coach literário Augusto Cury sequer se deram ao trabalho de simular serviço, registrando “agenda vazia” em plena quinta-feira útil.

O balanço do dia revela um país fraturado entre o palanque eletrônico e o folclore das ruas. Entre promessas de reajustes mágicos, castração de felinos e o desprezo indisfarçável de quem nem saiu de casa para trabalhar, a quinta-feira eleitoral provou que a nossa democracia é, antes de tudo, um espetáculo de entretenimento barato financiado com dinheiro público.

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