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STF determina atuação da Polícia Federal após auditoria identificar irregularidades em emendas parlamentares

STF determina atuação da Polícia Federal após auditoria identificar irregularidades em emendas parlamentares

 

Relatório do Tribunal de Contas da União aponta prejuízo de R$ 55,4 milhões e leva ministro Flávio Dino a determinar novas medidas de fiscalização

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou nesta sexta feira que a Polícia Federal analise possíveis infrações relacionadas à execução das chamadas emendas parlamentares de transferência especial. A decisão foi tomada após o Tribunal de Contas da União encaminhar ao Supremo um relatório de auditoria que aponta indícios de irregularidades e um prejuízo estimado em R$ 55,4 milhões aos cofres públicos.

No despacho, o ministro afirmou que as informações reunidas pela Corte de Contas demonstram que ainda existem falhas relevantes na aplicação dos recursos, especialmente em relação à transparência e ao acompanhamento da destinação do dinheiro público.

A auditoria fiscalizou cem transferências realizadas entre os anos de 2020 e 2024 para 74 estados e municípios, envolvendo aproximadamente R$ 198,1 milhões em recursos.

Entre os principais problemas identificados estão movimentações financeiras em contas inadequadas, despesas sem comprovação documental, suspeitas de fraudes em processos de contratação e obras executadas com indícios de sobrepreço ou sequer concluídas.

O levantamento também apontou deficiências no sistema utilizado para acompanhar as transferências, indicando fragilidades que dificultam o controle e a rastreabilidade dos recursos destinados por meio das emendas parlamentares.

Além de encaminhar os casos para análise da Polícia Federal, Flávio Dino determinou que o Ministério da Gestão apresente esclarecimentos sobre as falhas identificadas na plataforma responsável pelo acompanhamento das transferências. A Controladoria Geral da União também deverá informar o andamento de auditorias relacionadas à aplicação desses recursos.

Na mesma decisão, o ministro abriu prazo de dez dias para que o deputado federal Lindbergh Farias e a Câmara dos Deputados se manifestem sobre uma representação que questiona a destinação de emendas voltadas à compra de alimentos por intermédio da Companhia Nacional de Abastecimento.

Outra determinação estabelece que, a partir de 2027, estados e municípios deverão adotar um sistema padronizado de identificação contábil para todas as emendas parlamentares, medida que busca ampliar o controle e facilitar a fiscalização da aplicação dos recursos públicos.

Ao justificar as providências, o ministro destacou que a transparência na utilização das verbas é essencial para assegurar que os recursos destinados por parlamentares sejam efetivamente aplicados em benefício da população e de acordo com os princípios da administração pública.

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