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O grande circo eleitoral: de pontes inacabadas a castração de gatos

A engrenagem da democracia brasileira gira no ritmo de um espetáculo mambembe. Toda quinta-feira eleitoral se transforma no palco perfeito para que candidatos à Presidência encenem suas melhores versões de salvadores da pátria, misturando discursos inflamados sobre economia com visitas calculadas que beiram o ridículo.

Na ala dos que preferem o conforto dos estúdios, Luiz Inácio Lula da Silva e Renan Santos escolheram a segurança do ar-condicionado. É muito mais fácil enfrentar sabatinas em grandes conglomerados de mídia, onde o media training acumulado ao longo de décadas serve de escudo contra perguntas desconfortáveis, do que pisar no barro da realidade.

Enquanto isso, Romeu Zema adota a clássica tática do fiscal de concreto. O governador mineiro viaja até São Francisco para contemplar as obras de uma ponte. Nada grita mais ‘desespero por votos’ do que um político de capacete apontando para uma estrutura inacabada que ele mesmo deveria ter entregue há tempos.

Ronaldo Caiado resolveu abraçar a esquizofrenia logística: de manhã, o tom sério em rádio paulista e a obrigatória visita humanitária a um hospital; à noite, o pragmatismo político de lançar candidatura alheia no Rio de Janeiro. É o típico malabarismo de quem tenta estar em todos os lugares ao mesmo tempo e acaba não estando em lugar nenhum.

No extremo oposto do pragmatismo, Rui Costa Pimenta se recolhe ao seu próprio tribunal digital. Ao se limitar a debater geopolítica no canal do YouTube do seu próprio partido, o candidato do PCO reforça a irrelevância prática de uma esquerda que prefere palestrar para convertidos a enfrentar o eleitor real.

Já Samara Martins insiste no romantismo analógico da militância de rua em Recife. Caminhadas e bandeiraços em avenidas movimentadas são o equivalente político a tentar apagar incêndio com borrifador de água, ignorando que o verdadeiro debate e a manipulação de massas migraram definitivamente para o algoritmo das redes sociais.

O ápice do surrealismo desta quinta-feira, contudo, pertence a Wilson Grassi. O candidato decidiu que o caminho mais curto para o Palácio do Planalto passa pela visita ao ‘Gatil Lovecats’ e pelo acompanhamento de uma campanha de castração de pets. Diante do colapso econômico do país, a prioridade da liderança nacional parece ser o controle de natalidade felino.

Clariana Barão, por sua vez, preferiu seguir à risca o manual da demagogia básica em Cuiabá. O roteiro é manjado: feira popular para comer pastel de vento e tirar fotos com trabalhadores, seguida de visitas a um abrigo de idosos e a um hospital de câncer. Usar a vulnerabilidade alheia como pano de fundo para campanha é o método mais antigo e covarde de simular empatia.

Edmilson Costa e Hertz Dias tentam resgatar a estética da revolução proletária. O primeiro divide seu tempo entre o estúdio da Globo e ocupações em Niterói, uma contradição ambulante entre o capital e o trabalho. O segundo visita operários metalúrgicos em São José dos Campos, tentando vender a ilusão de uma greve geral para trabalhadores que só querem garantir o salário do mês.

Por fim, Augusto Cury e Flávio Bolsonaro desfrutam do silêncio de uma agenda vazia. Em um país onde a exposição pública dos candidatos costuma flutuar entre a vergonha alheia e o oportunismo escancarado, não fazer absolutamente nada em uma quinta-feira talvez seja a estratégia de marketing mais brilhante e menos prejudicial de todas.

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