O cenário diplomático entre Brasil e Estados Unidos sofreu um forte abalo nesta quinta-feira (23/04/2026). O presidente Lula manifestou-se publicamente sobre a expulsão de um agente da Polícia Federal de território americano, classificando o episódio como um “gesto inaceitável” e uma “afronta à cooperação internacional”.
O agente brasileiro estaria em solo americano para acompanhar desdobramentos de investigações ligadas ao Caso Master e à movimentação de ativos de brasileiros no exterior, mas teve seu visto revogado e foi obrigado a deixar o país de forma abrupta pelas autoridades de imigração.
Os Motivos da Expulsão: O que dizem os EUA
Embora o Departamento de Estado americano não tenha emitido uma nota oficial detalhada, fontes de inteligência em Washington sugerem que a medida foi tomada por:
• Violação de Protocolo: O agente estaria realizando atividades de investigação de campo sem o devido aviso ou coordenação com o FBI, o que é visto como violação de soberania.
• Aviso Prévio: A expulsão ocorre logo após o “aviso” que os EUA enviaram ao Brasil sobre a infiltração de facções (PCC e CV) em instituições financeiras, sugerindo que a cooperação atual passa por um momento de desconfiança mútua.

A Reação de Lula e do Itamaraty
Em discurso durante evento oficial, Lula subiu o tom e indicou que o Brasil pode adotar medidas de reciprocidade:
“Não é possível que um agente público, em missão oficial para investigar crimes que afetam os dois países, seja tratado como um criminoso comum. Vamos exigir explicações formais e, se necessário, rever protocolos de atuação de agências americanas no Brasil.”
As ações imediatas do governo brasileiro incluem:
1. Convocação do Embaixador: O Itamaraty convocou o embaixador dos EUA para prestar esclarecimentos urgentes.
2. Suspensão de Compartilhamento: Há uma ameaça velada de suspensão temporária do compartilhamento de dados de inteligência sensível até que o incidente seja esclarecido.
O Contexto: Caso Master e Investigação em Miami
A expulsão do agente não parece ser um fato isolado. A PF vinha rastreando bens e contas bancárias em Miami pertencentes a operadores do Banco Master e do BRB. Suspeita-se que o agente expulso estivesse “perto demais” de descobrir conexões entre o sistema financeiro americano e a lavagem de dinheiro das carteiras podres brasileiras.
Impacto Institucional
O episódio isola ainda mais o Brasil no tabuleiro da segurança internacional. Se por um lado Lula busca manter a soberania e proteger seus agentes, por outro, o afastamento das agências americanas (DEA e FBI) pode dificultar o rastreio do dinheiro desviado no esquema do Banco Master e do BRB que foi enviado ao exterior.