As investigações sobre o Caso Master e o Banco de Brasília (BRB) ganharam uma nova e complexa camada nesta quinta-feira (23/04/2026). Documentos auditados revelam que uma figura central ligada à REAG Investimentos identificada como herdeira da estrutura societária do grupo atuou como agente garantidora de carteiras de crédito bilionárias vendidas pelo Banco Master ao BRB.
Essa revelação é considerada um “elo perdido” pelos investigadores da Polícia Federal, pois conecta três grandes forças do mercado financeiro em uma operação sob suspeita de fraude e falta de lastro real.

Agência do BRB | Divulgação
O Triângulo Financeiro Sob Suspeita
A operação funcionava como um ecossistema fechado, onde o risco parecia ser diluído por nomes de peso, mas, segundo a auditoria, escondia ativos sem garantia:
1. O Vendedor (Banco Master): Desovou carteiras de crédito (muitas vezes classificadas como “podres” ou de difícil recuperação) no balanço do BRB.
2. O Comprador (BRB): Utilizou recursos públicos e de correntistas para adquirir esses títulos, confiando nas garantias apresentadas.
3. A Garantidora (Herdeira/Ligada à REAG): Atuou como a fiadora ou estruturadora da garantia dessas carteiras. Sua assinatura e o selo de prestígio do grupo REAG serviam para dar legitimidade a papéis que, na prática, não possuíam colateral físico (imóveis ou bens).
Por que a REAG está no holofote?
A REAG Investimentos é uma das maiores gestoras independentes do país e, recentemente, esteve envolvida em grandes movimentações de mercado (como a tentativa de compra da Getninjas e a gestão de ativos da massa falida da Unick Forex).
O envolvimento de uma herdeira do grupo como garantidora em um esquema de “créditos podres” levanta duas hipóteses principais para os investigadores:
• Conflito de Interesses: A utilização de prestígio societário para “chancelar” operações arriscadas que beneficiariam o Banco Master.
• Blindagem Jurídica: O uso de nomes de herdeiros ou estruturas de Family Office para assinar garantias, na tentativa de afastar a responsabilidade direta das pessoas jurídicas principais em caso de calote.
O Conflito com as Descobertas da Auditoria
A situação se torna crítica porque, como revelado anteriormente, a auditoria independente detectou que os 3 mil documentos dessas carteiras foram feitos às pressas e não possuem garantia real.
Impacto Político e Jurídico
A presença de um nome ligado à REAG no epicentro do caso Master-BRB acelera a pressão por depoimentos na CPMI do INSS e na CLDF. O temor é que o esquema não seja apenas uma fraude isolada no BRB, mas um modelo de “fabricação de garantias” usado para inflar balanços de outros bancos e fundos de pensão pelo país.
A Polícia Federal agora busca rastrear se houve pagamento de taxas de estruturação (fees) fora do mercado para que essa garantia fosse concedida, o que configuraria corrupção ativa e passiva, além de crimes contra o sistema financeiro nacional.