Cinquenta e sete anos após o lançamento da obra-prima de João Carlos Marinho, o cinema brasileiro finalmente entrega uma nova adaptação de “O Gênio do Crime” embalado pelo clima da Copa do Mundo de 2026, o longa dirigido por Lipe Binder tenta atualizar o mistério das figurinhas falsificadas para a era dos influenciadores e das redes sociais.
O resultado é um filme genuinamente divertido, embora peque por uma dose excessiva de “bobice” que pode cansar até os espectadores mais jovens.
A trama mantém a essência do clássico: um grupo de amigos agora liderado por João (Francisco Galvão), a Berenice (Bella Alelaf), Pituca (Breno Kaneto) e Edmundo (Samuel Estevam) tentam desvendar quem está inundando o mercado com réplicas perfeitas da figurinha rara do craque Vini Jr.

A modernização funciona bem, trocar o detetive clássico por um Marcos Veras na pele de um “youtuber de crimes” atrapalhado traz um frescor cômico que ressoa com a Geração Alpha.
Ailton Graça também brilha como Seu Tomé, trazendo o peso emocional necessário para o dono da fábrica de figurinhas que vê seu negócio ameaçado.
Se o livro original era conhecido por tratar as crianças “de igual para igual” e apresentar perigos reais, o filme de 2026 opta por um caminho mais seguro e, por vezes, excessivamente leve, as piadas funcionam, mas muitas vezes descambam para o pastelão físico.
Diferente da narrativa densa e estratégica de Marinho, a investigação aqui é mastigada, em vários momentos, as pistas caem no colo dos protagonistas de forma conveniente, subestimando a capacidade de dedução do público mirim, que hoje está acostumado com tramas de mistério mais ágeis.

O filme é colorido e solar, o que é ótimo para o entretenimento familiar, mas perde aquele “frio na barriga” que tornava a busca pela fábrica clandestina tão eletrizante no papel.
“O Gênio do Crime” é filme de férias, mesmo que completamente deslocado no tempo, um passeio seguro para os pais e uma diversão garantida para crianças até os 8 ou 9 anos, no entanto, para os pré-adolescentes que buscam o desafio intelectual prometido pelo título, o longa pode parecer um pouco “bobo” demais, falta à produção um pouco daquela “maldade” inocente e da perspicácia que fizeram de Edmundo e sua turma ícones da literatura.
Nota 2/5