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O Eterno Retorno de “Em Algum Lugar do Passado” 46 Anos de um Culto à Prova do Tempo.

O Eterno Retorno de “Em Algum Lugar do Passado” 46 Anos de um Culto à Prova do Tempo.

Ao completar 46 anos em 2026, o longa dirigido por Jeannot Szwarc transcendeu sua recepção inicial morna para se tornar o padrão ouro do romance metafísico.

Diferente das ficções científicas da virada dos anos 80, o filme não se apoia em engrenagens ou máquinas complexas, a “viagem no tempo” de Richard Collier (Christopher Reeve) é um ato de pura vontade psíquica e autossugestão o que confere à obra um tom quase onírico.

Collier, um dramaturgo de sucesso, torna-se obcecado pelo retrato de uma atriz de 1912, Elise McKenna (Jane Seymour), exposto no Grand Hotel, acontece que a moça do retrato se trata de uma senhora que lhe dera um relógio, despertando sua vontade de saber como estar no mesmo plano temporal, sem qualquer lógica, apenas a do amor, Collier volta ao tempo onde a moça é uma atriz renomada e hospedada no hotel.

Mais do que a barreira cronológica, o obstáculo é personificado pelo empresário William Fawcett Robinson (Christopher Plummer), que representa a rigidez do destino contra o ímpeto do amor.

Por que a obra sobreviveu? Ofilme foi lançado em uma era dominada por blockbusters de ação e cinismo, na época foi tachado de “excessivamente sentimental”, no entanto, é justamente essa coragem de ser vulnerável que garantiu sua longevidade.

Christopher Reeve, despindo-se da capa do Superman, entregou uma performance de fragilidade absoluta, Jane Seymour, com sua beleza etérea, definiu o arquétipo da “musa atemporal”.

É impossível falar do filme sem mencionar a trilha sonora, o uso da Rapsódia sobre um Tema de Paganini, de Rachmaninoff, aliada ao tema original de Barry, cria uma atmosfera de melancolia que atua como um personagem invisível.

O visual do Grand Hotel na Ilha Mackinac não apenas situa o espectador, mas evoca uma nostalgia por uma era de cavalheirismo e ritmo lento que o público moderno parece ansiar cada vez mais.

A história de Em Algum Lugar do Passado é, ela própria, uma lição de persistência, após uma bilheteria decepcionante (prejudicada por uma greve de atores na época), o filme encontrou sua audiência na TV a cabo e no vídeo doméstico, hoje, possui fã-clubes internacionais (como a International Network of Somewhere in Time Enthusiasts) que se reúnem anualmente no hotel onde as filmagens ocorreram.

“O filme não fala sobre o que é possível, mas sobre o que é necessário para a alma”.Um sentimento comum entre os entusiastas da obra.

Aos 46 anos, o filme permanece como um lembrete de que o amor, quando capturado pela lente da arte, não conhece calendários, ele não envelheceu; ele simplesmente se tornou parte do nosso imaginário sobre o que significa perder-se e encontrar-se em outra época.

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